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  1. Pra quem não entendeu, isso tudo começou muito antes do que parece, num dia em que absolutamente nada indicava que algo estranho iria acontecer, mas mesmo assim aconteceu, quando um pato extremamente determinado acordou com a sensação de que precisava mudar alguma coisa no mundo, mesmo sem saber exatamente o quê; ele saiu caminhando pela rua como se tivesse um plano genial, parou em frente a uma banca de jornal que já não vendia jornais, apenas revistas antigas e figurinhas repetidas, e ali decidiu que aquele seria o ponto de partida para uma grande revelação universal, então pegou uma calculadora quebrada, sem pilhas, com o visor meio apagado, e começou a apertar botões aleatórios acreditando fielmente que cada bip imaginário representava uma resposta profunda sobre a vida, o tempo e o motivo das filas sempre andarem mais rápido na fila ao lado; enquanto isso, pessoas completamente aleatórias começaram a se juntar em volta, algumas por curiosidade, outras porque acharam que era uma performance artística moderna, e outras simplesmente porque não tinham mais nada pra fazer, e todas elas começaram a interpretar cada movimento do pato como se fosse parte de um discurso extremamente inteligente, criando teorias mirabolantes, fazendo anotações em cadernos que nunca seriam relidos, discutindo seriamente sobre coisas que não faziam o menor sentido, como a possibilidade de terça-feira ser apenas uma invenção coletiva ou se as nuvens realmente existem, até que, no final, ninguém entendeu nada, mas todo mundo saiu convencido de que tinha acabado de aprender algo muito importante, mesmo sem saber explicar exatamente o quê.Depois daquele caos sem sentido do pato, quando a poeira da calculadora quebrada mal tinha baixado e as pessoas ainda guardavam seus cadernos como se fossem relíquias, surgiu na mesma esquina um vira-lata caramelo de apenas 3 centímetros de altura, tão pequeno que parecia um grão de feijão com patas, mas que caminhava com a marra de quem domina o bairro inteiro; ele parou exatamente no mesmo ponto de partida, em frente à banca de jornal que não vendia nada, e começou a latir para uma tampinha de garrafa com uma voz tão aguda que só podia ser ouvida por morcegos e por pessoas que acreditavam em gnomos; imediatamente, uma multidão se aglomerou e todos tiveram que se deitar de barriga no chão, formando um círculo de corpos estirados no asfalto apenas para conseguir enxergar o pequeno mestre, o que foi rapidamente interpretado como um novo ritual de humildade extrema perante o "micro-cosmo" canino; enquanto o caramelo de 3 centímetros dava voltas em torno de um chiclete mascado, filósofos de botequim começaram a anotar que aquele movimento circular representava a órbita dos planetas e que o fato de ele ser tão pequeno era uma prova de que o universo estava encolhendo para caber no nosso bolso; houve quem sugerisse que ele era uma inteligência artificial disfarçada de pelo e osso, enviada para monitorar a qualidade do pão na chapa da vizinhança, enquanto outros juravam que, se você encostasse o ouvido no chão, conseguiria ouvir o cachorro ditando as dezenas da próxima loteria em latim; a histeria foi tanta que o trânsito parou porque ninguém queria atropelar a "divindade minúscula", e logo centenas de pessoas estavam fazendo silêncio absoluto para não assustar o animal, acreditando que qualquer espirro humano poderia desestabilizar a paz mundial que o cachorro estava emanando; no final, o caramelo simplesmente montou nas costas de uma formiga que passava por ali, ou ao menos foi o que três pessoas juraram ter visto antes de ele sumir em uma rachadura na calçada, deixando todo mundo com dor nas costas de tanto ficar deitado no chão, mas com a certeza absoluta de que o tamanho não importa quando se tem o carisma de um vira-lata, saindo dali convencidos de que tinham presenciado um milagre microscópico que ninguém sabia explicar, mas que todos prometeram levar para o túmulo.
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